No me cago em Dios - Como os espanhóis -
Mas certas horas.
O dispenso.
Toda incoerência e contradição já instaladas na cabeça.A língua enrolada,latas de cervejas cercam os móveis da casa.Tateio.As luzes não me bastam.
Não consigo distinguir latinhas limpas,das mijadas.Não sei mais os conteúdos,nenhuma cheia,nenhuma vazia,não arrisco um novo gole.Bêbado sim,indefeso ainda não.Gatinho e busco a cozinha, me ergo.Bambeando me equilibro.Mãos,ombros,o corpo gordo resvalando na parede ,na mesa ,nas cadeiras.Abro a porta branca da geladeira.NADA.Olho o freezer.VAZIO.
O desejo melancólico por mais uns goles de álcool é o que me sustenta.Toma conta de meu todo,que se funde,em tristeza,euforia,desespero,ilusões,mágoas,coragem e insensatez.Ciência e religião se entrelaçam.O instinto de preservação se ajoelha e suplica a N.Sra. de Lourdes para que me contenha e me encaminhe a cama protetora.
No entanto em meu devaneio ela sorri marotamente, e com as mãos santas me indica o caminho da rua.
Consentido apanho as chaves.Aperto o chaveiro entre os dedos até uma gota de sangue brotar .O suor jorra pela testa,a barriga inchada,o rosto vermelho,os olhos saltando pelas janelas.Agora só sei prosseguir.
A cidade me chama,a carteira aperta o bolso,que aperta a perna,que aperta a veia que aperta o peito, que aperta o indizível. A calça respingada pela urina secará lentamente, mas deixará o rastro do odor fétido.
Fecho a porta, mais dois passos o elevador,depois a garagem,o carro,o acelerador e as marchas que irão arranhar.Mais um cidadão honesto,trabalhador e fora da lei, à solta pelas ruas da cidade.
O que o alcool não faz ?
Quem guia a direção deste carro? Nem Jesus,nem Satanás.São vestígios de meus reflexos ,excesso de adrenalina e principalmente a insanidade voluptuosa cuidam desta atividade motora.Acelerar,acelerar,acelerar ... Lembro num relance de "Adhemar (FÉ EM DEUS E PÉ NA TÁBUA) de Barros" que meu pai em campanha eleitoral votava todo orgulhoso.Votava e bebia ,e bebia muito.
É madrugada de domingo para segunda-feira. Não existe pior hora e dia da semana para estar drogado.Os faróis ofuscam.Mas pra que ver ? Os sentidos me levam ou me abandonam ao próprio azar. A noção de velocidade já foi pras cucuias. Maltrato a cidade que tenta dormir com seus ouvidos cansados.
Poderia gritar por socorro ,alguém se incomodaria ? Talvez sim , talvez não. Beber é viver a contrariedade e a dialética na maior das proporções. Tudo que me afirmarem negarei, ou supostamente aceitarei o discurso, com um abraço apertado,para logo dizer ..." Amigo não é bem assim !"
Tenho alguns amigos? Dilma,Lopes,Maura.Talvez Leonildo atendesse,mas meu impulso é maior ,estou dominado," eu vi até Nossa Senhora" e poderia ter visto muito mais.Não poderia ?
Por outro lado o pouco que sobrou de racionalidade conspira contra.
Aprendemos com a modernidade a respeitar a privacidade.
O acelerador grita a língua do nó preso que asfixia.
Nós siameses na busca do acidente que paralise o momento.
Minha totalidade se apresenta:Um suicida corajoso entrelaçado ao medo de viver. Que o binômio cesse!!!.
Parte de mim sufoca e acelera , parte de mim respira e breca .
CRASHHHHHHHHHH
DESPEDACEI
Despedacei.
Despedacei
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